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"Acho que finalmente me dei conta que o que você faz com a sua vida é somente metade da equação. A outra metade, a metade mais importante na verdade, é com quem está quando está fazendo isso."

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Quem vai ficar no gol


A música “Quem vai ficar no gol?”, de Erasmo Carlos, não se refere diretamente ao futebol. Antes deixa clara a intenção do compositor em chamar a sociedade a reflexão e conscientização das atribuições da função e posição que cada pessoa ocupa no jogo (família/amizades/trabalho/política). 

Inicialmente a composição pode até ser recebida como uma narrativa cômica, entretanto gradativamente tem-se a constatação de que a letra da música é uma critica social as adversidades presentes no contexto politico-sócio-cultural - que trazidas à tona costumam desencadear uma série de eventos que para "seguir com o jogo" precisam ser resolvidos.

A equipe adversária, nesta obra de Erasmo, é composta de situações previsíveis: e, portanto que poderiam ter sido evitadas – evitando-se assim o gol não pretendido; e, consequentemente, tendo falhado esta primeira defesa as adversidades devem ser superadas, se valendo de rigoroso planejamento estratégico prévio ou de meios de resoluções inteligentes e hábeis. 

Acredito que ninguém tenha dúvidas que o goleiro que mais consegue impedir que a bola entre no gol de sua equipe, não é o goleiro-líbero ou o goleiro-linha, mas aquele goleiro que além de se posicionar melhor cumpre as regras do jogo.

Caso seja necessário provar, retomo um questionamento que surgiu em maio de 2018: "Um goleiro no celular, pode isso?!

Portanto, a regra é clara: jogadores e goleiros devem atuar como equipe, porém cada um deve se ocupar com a qualidade do desempenho de sua função. O diferencial está no comprometimento com o plano A, não com o plano B. Isto significa que, quando você está em jogo é daquele jogo que você deve se ocupar. 

A função de goleiro é defender o gol, assegurando e garantindo o interesse geral da equipe. Sua visão do campo possibilita identificar toda a movimentação do jogo e atuar tanto na a defesa quanto no ataque quando este também lhe for permitido executar. 

Ainda que todos em campo almejem a vitória, os jogadores são – ou espera-se que sejam – partícipes das ações, mas só ao goleiro é permitido utilizar-se de todo o seu corpo para evitar que o jogador adversário faça gol ou que sua equipe faça gol contra. 

Voltando ao questionamento do Tremendão: “Quem vai ficar no gol?" – obviamente, é o goleiro ou guarda-redes (antigamente chamado também de porteiro, arqueiro).

“Quem vai ficar no gol?”, Erasmo Carlos

Paulo gravou um disco que não tocou em nenhum lugar
Se o povo não escuta, não cai no gosto e não vai comprar
É que o rádio só toca o que o povo quer escutar
E o povo só compra o que ouviu o rádio tocar
Me avisa, quem vai ficar no gol?

Quando o salário aumenta, a voz do povo quer festejar
É mais uma 'graninha' no fim do mês pra poder gastar
Só que pra ter o aumento o dinheiro sai de algum lugar
E seja de onde for, é o próprio povo quem vai pagar
Me avisa quem vai ficar no gol?
Quem vai ficar no gol? Quem vai ficar no gol?

Gastou uma nota preta por um sapato italiano
Grife das mais famosas, seus pés na moda era o seu plano
Examinando o bicho, ficou com cara de imbecil
Embaixo da palmilha estava escrito "made in Brazil"
Me avisa quem vai ficar no gol?

João fez aniversário e convidou uma multidão
Num restaurante caro comemorou com muita emoção
Todos comeram muito e beberam mais do que já se viu
Quando chegou a conta o garçom gritou "seu joão sumiu!"
Me avisa quem vai ficar no gol?
Quem vai ficar no gol? Quem vai ficar no gol?

Rosa namoradeira amava Antônio e Sebastião
Só que eles eram gêmeos e ela curtia a situação
Entre seus dois amores um belo dia ela se distrai
Quando nasceu o filho, os irmãos gritaram: "é a cara do pai"
Põe a rede na baliza, e me avisa
Me avisa quem vai ficar no gol?
Quem vai ficar no gol? Quem vai ficar no gol?

Alcides, veja só!
O cara passa a vida, passa a vida inteira explicando pro filho:
"Meu filho, um dos mandamentos é: 'Não roubarás'. É feio roubar.
Aí o menino: Sim papai, sim. E, aí a vida passa, vai passando.
Aí um belo dia o menino abre o jornal tá escrito:
Desviado dinheiro público
Ai o menino olha do lado do jornal tá uma foto.
Ele olha a foto e diz: É papai! É papai!
Que que isso? Como é que fica? Como é que fica isso?
Este país precisa que alguém fique no gol. Ninguém quer ficar no gol.
Este país precisa que alguém fique no gol. Este país não tem goleiro.
Ele precisa que alguém fique no gol!

Aqui peço licença a Erasmo para fazer um pequeno paralelo das adversidades, por ele apresentadas, com situações desfavoráveis que podem ocorrer em um ambiente de trabalho, onde o goleiro seria representado pela Chefia imediata (Diretor, Chefe, Gerente, Presidente) e as equipes de jogadores pelos servidores (empregados, funcionários).

Nesta proposta o adversário seria representado por situações que por vezes apenas se toma conhecimento delas quando as consequências vem à tona. Seja como for, as situações sempre são de difícil resolução. Não apenas por revelar uma ou mais dificuldades ou impedimentos na alteração de determinada estrutura física, organizacional, no desenvolvimento de pessoas, equipes e na adoção de procedimentos de serviço, mas em razão de evidenciar que a solução adequada é encontrada no enfrentamento utilizado para superar tanto as consequências quanto a repetição daquela adversidade.

Contextualizando esta proposta em uma Unidade Prisional, caso tenhamos que enfrentar uma ou mais destas situações: "Me avisa quem vai ficar no gol?"

O "DISCO GRAVADO NINGUÉM OUVIU PORQUE NENHUMA RÁDIO TOCOU"

A Rádio na música é o simbolismo usado para representar o obscuro controle sobre as mídias de comunicação de massa que "escolhe" o que, quem, quando e como propagar algo/alguém tornando-o ou não de conhecimento público.

Para driblar essa adversidade compete ao Diretor e demais servidores: providenciar, fiscalizar e controlar os serviços em consonância a Lei de Execução Penal, cumprindo e fazendo cumprir a legislação estadual e federal, bem como as ordens emanadas da Agepen-MS.

Considerando que burocracia é sinônimo de organização que funciona segundo regulamentos, normas e padrões expressos, por intermédio dos ocupantes de cargos ou funções, com atribuições e responsabilidades definidas e conforme uma escala baseada na hierarquia.

O desafio está em abandonar a pratica de "sistema fechado" onde hierarquia e burocracia são sinônimos de centralização de decisões, procedimentos e praticas "engessadas", pois este entendimento gera adversidades que fazem os servidores trabalharem de forma limitada, freando a criatividade e o engajamento, causando ineficiência no ambiente de trabalho.

Em um "sistema aberto" há uma "quebra na hierarquia tradicional e nos silos departamentais" que perpetuam a cultura "nós e eles", ou seja, uma desconexão interna que é o obstáculo mais comum para uma comunicação eficaz.

O foco está em identificar os “conectores” ou “construtores de pontes” – pessoas que, independentemente de sua função, leva a equipe a "mapear os mini mundos’ existentes no ambiente de trabalho com a finalidade de superar estes pontos críticos de desconexão adotando metodologias ágeis, que melhoram e asseguram os fluxos de informação com a finalidade de que o resultado do nosso trabalho (tão midiatizado) corresponda de fato a importância do propósito social e de valores - que transformam a vida de pessoas e causam impacto positivo na sociedade. "Me avisa quem vai ficar no gol?"

O SALÁRIO AUMENTA "A VOZ DO POVO" QUER FESTEJAR

A expressão "vox populi, vox Dei"veio do latim. As pessoas consideravam que o julgamento popular era a voz de Deus. Tal crença tem raízes diversas. Em uma delas, conta-se que na região de Acaia, no Peloponeso, para que o deus Hermes se manifestasse o consulente deveria entrar no templo, fazer a pergunta ao oráculo e sair do templo com as orelhas tapadas. As palavras ditas pelos primeiros transeuntes que passassem pelo consulente seriam a resposta divina, ou seja, perguntava-se a um deus, mas era o povo que respondia.

Crenças e interpretações à parte, do que se deduz da citação de parte da expressão na música de Erasmo, é que o dinheiro utilizado para pagar nossos salários vem de nossos impostos e as compensações salariais e benefícios correspondem a jornada de trabalho, hora extra, tempo de serviço, promoção funcional, entre outros, portanto é mérito nosso.

O salário ou remuneração resulta de um conjunto de vantagens habitualmente atribuídas aos empregados, em contrapartida de serviços prestados ao empregador, portanto, é direito adquirido, não é mérito de governantes, chefes, diretores, mesmo quando as alterações salariais ocorram durante ou em razão da gestão destes.

Do que se sabe compete ao Diretor manter entrosada e ativa a equipe de trabalho, supervisionando, coordenando e fiscalizando suas execuções, indicando os responsáveis por setores e serviços; requerendo pessoal técnico especializado, tanto da administração como da segurança, bem como horas extras, quando necessárias; e, todo aparelhamento necessário a Unidade, a bem do serviço. "Me avisa quem vai ficar no gol?"

BUSCA VISIBILIDADE FAZENDO USO DE PRODUTO EXTERNO E FICA COM CARA DE IMBECIL POIS O SERVIÇO É "MADE IN BRAZIL"

O trabalho exercido pelo preso pode ser interno, no interior da unidade prisional, ou externo. As atividades laborterápicas realizadas na manutenção predial embora não sejam remuneradas a cada 3 dias trabalhados o preso tem 1 dia de pena descontado.

O trabalho realizado para outros órgãos públicos, empresas particulares e privadas deve ser remunerado, pois ainda que a Mão de Obra Carcerária esteja "disponível" a possíveis parcerias esta deve ser contratada através de acordo/convênio firmado em cartório e publicado em Diário Oficial, pois trata-se de uma relação institucional com o Estado, com finalidade específica de dever social e condição de dignidade humana, educativa e produtiva, sendo também assegurado a remição dos dias trabalhados.

Portanto, o trabalho do preso deve ser remunerado, mediante prévia tabela, não podendo ser realizado de forma gratuita, nem mesmo por remuneração inferior a três quartos do salário mínimo, conforme disposto nos Art. 28 e 29, da LEP. "Me avisa quem vai ficar no gol?"

Destaco aqui o Selo RESGATA instituído em 2017 com a finalidade de prestar o devido reconhecimento as instituições que utilizam a mão de obra carcerária em conformidade aos ordenamentos legais.

No dia 13/11/19 a PORTARIA Nº 479, DE 1º DE NOVEMBRO DE 2019 que torna pública a abertura do 3º Ciclo de Concessão do Selo Nacional de Responsabilidade Social pelo Trabalho no Sistema Prisional - RESGATA, foi publicado no DOU, para instruir as entidades interessadas a concessão do Selo quanto aos requisitos e procedimentos de inscrição que devem fazer constar cópia das folhas de ponto/frequência, dos extratos dos dias trabalhados, da CTPS, se houver, ou de qualquer outro documento que comprove a contratação de pessoas em privação de liberdade, cumpridores de penas alternativas ou egressos do sistema.

FESTEJAR E COMEMORAR, EMOCIONADO, JUNTO AOS CONVIDADOS E SUMIR NA HORA DE PAGAR A CONTA

Tão importante quanto buscar reconhecimento do trabalho e comemorar resultados (tão alardeados/midiatizados) é também assumir "as custas invisíveis" da desorganização, do que deixou de ser feito, dos prazos perdidos, do retrabalho, por falta de planejamento, estratégia equivocada, erros individuais, briefings incompletos, problemas de comunicação com o ambiente interno e externo, falta de alinhamento das atividades (propostas e realizadas) com a Rotina Diária prevista com a finalidade de promover a execução administrativa das penas. "Me avisa quem vai ficar no gol?"

Na postagem Rotinas Carcerárias/O apagão de líderes citei a história de quatro pessoas: TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM e NINGUÉM. Havia um trabalho importante a ser feito e TODO MUNDO tinha certeza de que ALGUÉM o faria. QUALQUER UM poderia tê-lo feito, mas NINGUÉM o fez. ALGUÉM zangou-se porque era um trabalho de TODO MUNDO. TODO MUNDO pensou que QUALQUER UM poderia fazê-lo, mas NINGUÉM imaginou que TODO MUNDO deixasse de fazê-lo. Ao final, TODO MUNDO culpou ALGUÉM quando NINGUÉM fez o que QUALQUER UM poderia ter feito.

TER VÁRIOS COMPROMISSOS E CURTIR ESTA SITUAÇÃO ATÉ A DISTRAÇÃO

Para driblar essa "possível adversidade" (pois, é plenamente possível cuidar de interesses pessoais e particulares fora do horário de trabalho) compete ao Diretor e demais servidores não assumir compromissos alheios ao serviço, durante a jornada de trabalho. Isso é possível quando se tem ciência de seus direitos e deveres como servidor público, bem como das atribuições inerentes a sua função.



É indispensável ler o ambiente externo tão bem quanto se deve saber ler o ambiente interno. "Vista a camisa"! O mínimo que se pode fazer é "arrumar a casa". Seja organizado. Esteja preparado e se mantenha avançando no cumprimento das regras do jogo. Prepare a estrutura, refine os processos, analise os dados anteriores e projete novas visões, apostando em ideias que mantenha a satisfação em alta. Isso é: o resultado do trabalho que te valoriza como profissional é aquele que também não deixa dúvidas quanto ao seu comprometimento com o real objetivo e finalidade do seu local de trabalho.

Também se faz necessário revisar e lapidar os seus próprios conhecimentos. Há muito trabalho para ser feito. Neste cenário não há tempo para fazer as coisas na base da tentativa e erro. O diferencial está no comprometimento com o plano A, não com o plano B. Isto significa que, quando você está em jogo é daquele jogo que você deve se ocupar. "Me avisa quem vai ficar no gol?"

DESVIO DO DINHEIRO PÚBLICO (CORRUPÇÃO ATIVA E PASSIVA, ENTRE OUTROS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA)

O crime de corrupção é abominado pela esmagadora maioria dos brasileiros. Em especial, devido às corriqueiras denúncias contra "figurões do alto escalão do poder público". Não obstante, há duas espécies de corrupção previstas na lei penal, quais sejam: corrupção ativa e corrupção passiva.

Previsto no Código Penal, o crime de corrupção ativa é cometido por particular em face do funcionário público: Art. 333. "Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determina-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício". Logo, o crime de corrupção ativa consuma-se com o simples oferecimento da vantagem indevida a funcionário público. A pena é aumentada de 1/3 caso esse realize o pedido do particular. Isto é, retarde, não realize ou pratique ato infringindo seu dever.

Por outro lado, o crime de corrupção passiva ocorre quando o próprio funcionário público solicita ou recebe vantagem indevida: Art. 317. "Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem". Verifica-se que, nesse tipo penal, é o funcionário público quem oferece ou recebe a vantagem indevida.

"Me avisa quem vai ficar no gol?"

Este país precisa que alguém fique no gol.
Ninguém quer ficar no gol.
Este país precisa que alguém fique no gol.
Este país não tem goleiro.
Ele precisa que alguém fique no gol!

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